Saturday, May 02, 2009

A ascensão do capitalismo do desastre

A ascensão do capitalismo do desastre


por Naomi Klein [*]


No verão passado, na modorra do mês de Agosto, a doutrina bushiana da guerra preventiva deu um grande salto para a frente. No dia 5 de Agosto de 2004, a Casa Branca criou o Gabinete do Coordenador para a Reconstrução e Estabilização (Office of the Coordinator for Reconstruction and Stabilization), encabeçado pelo antigo embaixador dos EUA na Ucrânia, Carlos Pascual. O seu mandato é rascunhar elaborados planos "pós-conflito" para mais de 25 países que não estão, ainda, em conflito. Segundo Pascual, o gabinete será capaz de coordenar até três operações de reconstrução em plena escala em diferentes continentes e "em simultâneo", cada uma delas perdurando "cinco a sete anos".

Assim, de modo adequado, um governo dedicado à perpétua desconstrução preventiva tem agora um gabinete dedicado à perpétua reconstrução preventiva.

Já estão longe os dias em que se aguardava as guerras acontecerem para então elaborar planos a fim de consertar os estragos. Em estreita cooperação com o National Intelligence Council, o gabinete de Pascual mantém os países "de alto risco" numa "lista de observação" e reúne equipes de resposta rápida prontas para se empenharem no planeamento pré-guerra e para se "mobilizarem e instalarem rapidamente" depois de o conflito ter acabado. As equipes são constituídas por companhias privadas, organizações não governamentais e membros de think tanks. Algumas delas, disse Pascual numa audiência do Center for Strategic and International Studies em Outubro último, terão contratos "pré-completados" para reconstruir países que ainda não estão fracturados. Fazer este trabalho administrativo previamente poderia "cortar de três a seis meses no tempo de resposta".

Os planos que as equipes de Pascual estão a elaborar no seu pouco conhecido gabinete no Departamento de Estado referem-se à mudança "do próprio tecido social de uma nação", afirmou ele à CSIS. O mandato do gabinete não é reconstruir qualquer dos antigos Estados, reparem, mas criar outros "democráticos e voltados ao mercado". Assim, por exemplo (e ele estava apenas a extrair esse exemplo de sua cartola, não há dúvida), os seus reconstructores de actuação rápida podem ajudar a vender "empresas estatais que criaram uma economia não viável". Por vezes, explicou, "reconstruir significa dilacerar o velho".

Poucos ideólogos podem resistir à atracção de um quadro em branco – que foi a promessa sedutora do colonialismo: "descobrir" novas e vastas terras onde a utopia parecia possível. Mas o colonialismo está morto, ou assim nos dizem: não há lugares novos a serem descobertos, nenhuma terra vaga (e, de facto, nunca houve), nenhuma página em branco sobre as quais, como outrora Mao disse, "as mais novas e mais belas palavras possam ser escritas". Há, entretanto, destruição de sobra — países esmagados até às ruínas, seja pelos chamados "Actos de Deus" ou pelos Actos do Bush (sob as ordens de Deus). E onde há destruição há reconstrução, uma oportunidade de agarrar a "terrível aridez", como um funcionário das Nações Unidas recentemente descreveu a devastação em Aceh, e preenchê-la com os planos mais belos e perfeitos.

"Costumávamos ter colonialismo vulgar", afirma Shalmali Guttal, investigador em Bangalore do Focus on the Global South. "Agora, temos um colonialismo refinado, e eles chamam a isto 'reconstrução' ".

Parece que porções cada vez maiores do globo estão sob reconstrução activa: a serem reconstruídas por um governo paralelo constituído por uma casta familiar de firmas de consultoria com fins lucrativos, companhias de engineering, mega-ONGs, agências governamentais e de ajuda da ONU e instituições financeiras internacionais. E, das pessoas a viverem nesses sítios de reconstrução — do Iraque ao Aceh, do Afeganistão ao Haiti — levanta-se um coro similar de queixas. O trabalho é demasiado lento, se é que está a haver algum trabalho. Consultores estrangeiros desfrutam uma boa vida, graças à contratos fixos com o pagamento das despesas extras, ao passo que os habitantes locais são excluídos dos tão necessários empregos, treinamentos e tomadas de decisão. Peritos "construtores da democracia" ensinam os governos sobre a importância da transparência e da "boa governação"; mas a maior parte dos empreiteiros contratados e das ONGs recusa-se a abrir a sua contabilidade àqueles mesmos governos, e muito menos a dar-lhes o controle sobre como é gasto o dinheiro da sua ajuda.

Três meses depois de o tsunami ter assolado o Aceh, o New York Times publicou um texto aflitivo a relatar que "quase nada parece ter sido feito para começar os reparos e a reconstrução". O mesmo relato poderia igualmente ter vindo do Iraque, onde, segundo relato recente do Los Angeles Times, todas as instalações de água reconstruídas pela Bechtel já começaram a decompor-se, mais uma coisa na infinita litania de estragos nas reconstruções. Mas poderia ter procedido igualmente do Afeganistão, onde o presidente Hamid Karzai recentemente denunciou empreiteiros estrangeiros como "corruptos, esbanjadores e irresponsáveis", por "dissiparem os preciosos recursos que o Afeganistão recebeu como ajuda". Ou do Sri Lanka, onde 600 mil pessoas que perderam os seus lares com o tsunami ainda estão a vegetar em acampamentos temporários. Cem dias depois do ataque das ondas gigantes, Herman Kumara, dirigente do movimento National Fisheries Solidarity Movement, de Negombo, Sri Lanka, enviou um email desesperado a colegas em todo o mundo: "Os fundos recebidos para benefício das vítimas são dirigidos a uns poucos privilegiados, não para as vítimas reais", escreveu ele. "Nossas vozes não são ouvidas e não permitem que elas sejam divulgadas."

Mas se a indústria da reconstrução é impressionantemente inepta na reconstrução isso pode ser devido ao facto de que a reconstrução não é o seu propósito primário. Segundo Guttal, "Não se trata de reconstrução alguma e sim de remodelar tudo". As histórias de corrupção e incompetência servem para mascarar esse escândalo mais profundo: a ascensão de uma forma predatória de capitalismo do desastre que utiliza o desespero e o medo criados pela catástrofe para lançar uma engenharia social e económica radical. E, nesta frente, a indústria da reconstrução trabalha tão rápida e eficientemente que as privatizações e a captura de terras habitualmente já estão consumadas antes de a população local saber do golpe que a atingiu. Kumara, em outro email, adverte que agora o Sri Lanka está a enfrentar "um segundo tsunami, o da globalização corporativa e da militarização", potencialmente ainda mais devastador do que o primeiro. "Vemos isso como um plano de acção em meio à crise do tsunami para entregar o mar e a costa a corporações estrangeiras e ao turismo, com a assistência militar dos Marines dos EUA."

O vice-secretário da Defesa, Paul Wolfowitz, concebeu e supervisou um projecto de espantosa semelhança no Iraque: Os incêndios ainda devastavam Bagdad quando responsáveis americanos pela ocupação reescreviam as leis de investimentos e anunciavam que as companhias estatais do país seriam privatizadas. Alguns destacaram este cadastro para argumentar que Wolfowitz seria inadequado para conduzir o Banco Mundial. Na verdade, nada poderia tê-lo preparado melhor para o novo emprego. No Iraque, Wolfowitz estava simplesmente a executar aquilo que o Banco Mundial já fazia em praticamente todos os países do mundo devastados por guerras ou por desastres – embora com menos delicadezas burocráticas e mais bravatas ideológicas.

Actualmente os países "pós-conflito" recebem 20 a 25 por cento do total de empréstimos do Banco Mundial, um nível 16% superior ao de 1998, o qual já era 800% superior ao de 1980, segundo estudo do Serviço de Investigação do Congresso. A resposta rápida às guerras e aos desastres naturais tradicionalmente tem sido da competência das agências da ONU, as quais trabalhavam com as ONGs para proporcionar ajuda de emergência, construir habitações temporárias e tudo o mais. Mas agora os trabalhos de reconstrução revelaram-se uma indústria tremendamente lucrativa, demasiado importante para ser deixada aos milagreiros da ONU. Desse modo, hoje é ao Banco Mundial, já dedicado ao princípio de aliviar a pobreza através da criação do lucro, que cabe a liderança do processo.

E não há dúvida de que há lucros a serem feitos nos negócios de reconstrução. Há enormes contratos de engenharia e abastecimento (10 mil milhões de dólares para a Halliburton, só no Iraque e no Afeganistão); a "construção da democracia" explodiu numa indústria de 2 mil milhões de dólares e nunca houve um tempo melhor para os consultores do sector público — as empresas privadas que assessoram os governos a venderem os seus activos, empresas essas que muitas vezes administram as próprias agências governamentais como subcontratadas. (a Bearing Point, a mais favorecida dessas empresas nos EUA, relatou que as receitas da sua divisão de "serviços públicos quadruplicou em apenas cinco anos", e os lucros são enormes: US$342 milhões, em 2002 – uma margem de lucro de 35 por cento.)

Mas países estilhaçados são atraentes para o Banco Mundial também por outra razão: eles acatam as ordens docilmente. Após um evento cataclísmico, os governos habitualmente fazem seja o que for para obter ajuda em dólares — mesmo se isso significa assumir dívidas enormes e concordar com políticas de reformas arrasadoras. E com a população local a lutar para obter abrigo e comida, a organização política contra a privatização pode parecer um luxo inimaginável.

Melhor ainda na perspectiva do Banco: muitos países arrasados pela guerra estão em estado de "soberania limitada". Eles são considerados demasiado instáveis e não qualificados para administrar o dinheiro da ajuda nele despejado. Assim, muitas vezes esses fundos são colocados num fundo fiduciário (trust fund) administrado pelo Banco Mundial. Foi o caso em Timor Leste, onde o Banco dá esmolas ao governo na medida em que ele mostrar que gasta com responsabilidade. Aparentemente, isso significa cortar empregos do sector público (o governo de Timor tem agora a metade da dimensão que tinha sob a ocupação indonésia), mas quantias abundantes da ajuda monetária são despendidas com consultores estrangeiros, os quais o Banco insiste em contratar (o investigador Ben Moxham escreve: "Num departamento governamental, um único consultor internacional ganha em um mês o mesmo que ganham juntos vinte dos seus colegas timorenses durante um ano inteiro").

No Afeganistão, onde o Banco Mundial também administra a ajuda ao país através de um fundo fiduciário, a instituição já conseguiu privatizar os cuidados de saúde, recusando-se a conceder fundos ao Ministério da Saúde para a construção de hospitais. Ao invés disso, este encaminha o dinheiro directamente para as ONGs que administram as suas próprias clínicas privadas, com contratos de três anos. O Banco Mundial também impôs "um papel acrescido para o sector privado" nos sistemas de águas, telecomunicações, petróleo, gás e mineração, e ordenou ao governo que "se retirasse" do sector da electricidade e que o deixasse para "investidores privados estrangeiros". Essas profundas transformações na sociedade afegã nunca foram debatidas ou relatadas, até porque poucas pessoas fora do Banco souberam o que estavam a acontecer: As mudanças foram enterradas bem fundo, num "anexo técnico" do contrato de uma doação de fundos para ajuda "de emergência" às infra-estruturas destruídas do Afeganistão – dois anos antes de o país ter um governo eleito.

O mesmo se passou no Haiti, a seguir à derrubada do presidente Jean-Bertrand Aristide. Em troca de um empréstimo de US$ 61 milhões, o banco está a exigir "partenariado público-privado e governação nos sectores da educação e da educação", segundo os documentos do Banco — ou seja, companhias privadas a administrarem as escolas e os hospitais. Roger Noriega, ao secretário de Estado Assistente dos EUA para os Negócios do Hemisfério Ocidental, deixou claro que o governo Bush compartilha esses objectivos: "Também encorajaremos que o governo do Haiti avance, no momento apropriado, com a restruturação e a privatização de algumas empresas públicas", disse ele ao American Enterprise Institute em 14 de Abril de 2004.

Trata-se de planos extremamente controversos num país com uma base estatal e o Banco admite que é precisamente por essa razão que está a pressioná-lo agora, com o Haiti sob um regime quase militar. "O Governo de Transição proporciona uma janela de oportunidade para a implementação de reformas de governação económica… que dificilmente poderão ser desfeitas por um próximo governo", observa o banco no seu acordo do Economic Governance Reform Operation. Para os haitianos isto é uma ironia particularmente amarga: Muitos culpam as instituições multilaterais, incluindo o Banco Mundial, pelo aprofundamento da crise política que levou à deposição de Aristide, pela retenção de centenas de milhões dos empréstimos prometidos. Na época, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sob a pressão do Departamento de Estado, afirmou que o Haiti era insuficientemente democrático para receber o dinheiro, apontando pequenas irregularidades verificadas numa eleição legislativa. Mas agora que Aristide está deposto, o Banco Mundial está a celebrar abertamente os bónus de operar numa zona livre de democracia.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional têm estado a impor terapias de choque a países sob vários estados de choque ao longo de pelo menos três décadas, sobretudo após golpes militares na América Latina e o colapso da União Soviética. Ainda que muitos observadores digam que os desastres do capitalismo de hoje realmente ultrapassem os do Furacão Mitch. Em Outubro de 1998, durante uma semana, o furacão estacionou na América Central, engolindo aldeias inteiras e matando mais de 9.000 pessoas. Países já empobrecidos estavam desesperados por ajuda para a reconstrução — e ela veio, mas com cadeias impostas. Nos dois meses após o golpe do Mitch, com o país ainda de joelhos em meio a ruínas, cadáveres e lama, o congresso de Honduras iniciou o que o Financial Times chamou de "liquidação veloz depois da tempestade", aprovando leis que permitiam a privatização dos aeroportos, portos e rodovias, além de planos urgentes para privatizar a companhia telefónica estatal, a companhia eléctrica nacional e partes do sector das águas. Anulou leis de reforma agrária e facilitou a compra e venda de propriedades para os estrangeiros. O mesmo aconteceu nos países vizinhos: Durante estes mesmos dois meses, a Guatemala anunciou planos para liquidar com o seu sistema telefónico, e a Nicarágua fez outro tanto, juntamente com a sua companhia de electricidade e o seu sector do petróleo.

Todos os planos de privatização foram pressionados agressivamente pelos suspeitos habituais. Segundo o Wall Street Journal, "o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional lançaram todo o seu peso para a venda da Telecom, fazendo disto uma condição para libertar cerca de US$ 47 milhões de ajuda anual, por um período de três anos, e ligando-a a cerca de US$ 4,4 mil milhões de alívio para a dívida externa da Nicarágua".

Agora, o Banco está a usar o tsunami de 26 de dezembro para pressionar pelas suas políticas predadoras. Os países mais devastados quase não viram alívio para a dívida, e a maior parte da ajuda de emergência do Banco Mundial veio sob a forma de empréstimos, não de doações. Ao invés de enfatizar a necessidade de ajudar as pequenas comunidades de pescadores – mais de 80 por cento das vítimas da onda – o banco está pressionar pela expansão do sector turístico e pela pesca industrial. Quanto às infra-estruturas públicas danificadas, como estradas ou escolas, os documentos do Banco reconhecem que reconstruí-los poderá "exigir forçar as finanças públicas", e sugere que os governos considerem a privatização (sim, eles só têm uma ideia). "Para certos investimentos", observa o plano de resposta do Banco ao tsunami, "poderá ser apropriado utilizar financiamentos privados".

Tal como em outros sítios de reconstrução, desde o Haiti até o Iraque, a ajuda ao tsunami pouco tem a ver com a recuperação do que foi perdido. Embora os hotéis e a indústria na costa tenham já começado a reconstrução, no Sri Lanka, na Tailândia, na Indonésia e na Índia, os governos aprovaram leis impedindo as famílias de reconstruírem suas casas frente ao oceano. Em Aceh, centenas de milhares de pessoas estão a ser transferidas à força para o interior, e instaladas em quartéis de estilo militar, e no caso da Tailândia em caixas de betão pré-fabricadas. A costa não está a ser reconstruída como era – salpicada de aldeias de pescadores e praias com redes de pesca feitas a mão espalhadas entre umas e outras. Ao invés disso, os governos, as corporações e os doadores estrangeiros estão a agrupar-se para reconstruir a costa da forma tal como gostariam que realmente fosse: praias com campos de jogos para turistas, oceanos como minas aquáticas para frotas pesqueiras das corporações indústria corporativa da pesca, tudo servido por aeroportos privatizados e rodovias construídas com o dinheiro emprestado.

Em Janeiro último, Condoleezza Rice desencadeou uma pequena controvérsia ao descrever o tsunami como "uma oportunidade maravilhosa" que "nos pagou altos dividendos ". Muitos ficaram horrorizados com a ideia de tratar uma tragédia humana maciça como uma oportunidade para extrair benefícios. Mas, de qualquer forma, Rice mostrou estar subestimando o caso. Um grupo auto-denominado Sobreviventes e Apoiantes do Tsunami da Tailândia afirma que: "para homens de negócios e políticos, o tsunami foi a resposta às suas orações, uma vez que literalmente varreu as áreas costeiras deixando-as limpas de comunidades que anteriormente impediam a realização de seus planos para a construção de balneários, hotéis, cassinos e instalações para a criação de camarões. Para eles, todas essas áreas costeiras são hoje terra aberta!"

O desastre, parece, é a nova terra nullius.

[*] Autora de No Logo: Taking Aim at the Brand Bullies, traduzido em 25 línguas, e de Fences and Windows: Dispatches from the Front Lines of the Globalization Debate (2002).

O original encontra-se em http://www.thenation.com/doc.mhtml?i=20050502&s=klein .

Tradução de JF.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Friday, May 01, 2009

A erosão do trabalho


"Arbeit, lavoro, travail, labour, trabajo." Não há nenhum canto do mundo que não esteja vendo o desmoronar do trabalho. A atividade que nasceu sob o signo da contradição foi, desde o primeiro momento, um ato vital, capaz de plasmar a própria produção e a reprodução da vida humana, de criar cada vez mais bens materiais e simbólicos socialmente vitais e necessários. Mas trouxe consigo, desde os primórdios, o fardo, a marca do sofrimento, o traço da servidão, os meandros da sujeição.

Se o trabalho é um ato poiético, o momento da potência e a potência da criação, ele também encontra suas origens no "tripalium", instrumento de punição e tortura.

Se, para Weber, o trabalho fora concebido como expressão de uma ética positiva em sintonia com o nascente mundo da mercadoria e o encanto dos negócios (negação do ócio), para Marx, ao contrário, o que principiara como uma atividade vital se converteu em um não valor gerador de outro valor, o de troca. Daí sua síntese cáustica: se pudessem, todos os trabalhadores fugiriam do trabalho como se foge de uma peste!

E a sociedade da mercadoria do século 20 se consolidou como a sociedade do trabalho. Desde o início, no microcosmo familiar, fomos educados para o labor. O sem-trabalho era expressão de pária social. Mas a mesma sociedade que se moldou pela formatação do trabalho se esgotou. Ele se reduz a cada dia -e de modo avassalador. Enquanto a população mundial cresce, ele mingua. Complexifica-se, é verdade, em vários setores, como nas tecnologias da informação e em outras áreas de ponta, e resta exangue em tantos outros.

Onde cresce avassaladoramente, como no telemarketing, produz um ser falante quase mudo, repetidor do trabalho prescrito, movido a pequenos "regalos" ao final de um dia extenuante, cujos minutos e segundos são contabilizados e controlados.

Assim nos encontramos hoje: temos muito menos empregos para todos os que dele necessitam para sobreviver. Os que têm emprego trabalham muito, sob o sistema de "metas", "competências", "qualificações", "empregabilidades" etc. E, depois de cumprirem direitinho o receituário, vivem a cada dia o risco e a iminência do não trabalho.

E isso não só nos estratos de base, onde estão os assalariados no chão da produção. Foi-se o dia em que os gestores, depois do corte, iam para suas casas com a garantia do trabalho preservado. Eles sabem que o corte deles se gesta enquanto eles laboram o talhe dos outros. Se vivêssemos em outro modo de produção e de vida, o tempo de trabalho poderia ser muito menor e mais afinado com o tempo de vida fora do trabalho, ambos dotados de sentido e fora dos constrangimentos do capital.

Mas, ao contrário, esses tempos se complementam em outro diapasão, com a casa se tornando espaço de trabalho adicional, e o tempo de vida fora do trabalho se vê cada vez mais encolhido e reduzido à esfera do que fazer para não perder a guerra quando o labor recomeçar no dia seguinte. A resultante é áspera e se conta na casa dos bilhões: aqueles que têm emprego trabalham muito, muitos já não mais encontram trabalho e outros fazem qualquer trabalho para tentar sobreviver com o que sobra da arquitetura societal da destruição.

Em plena crise estrutural e sistêmica do capital, da Ásia à América Latina, da Europa à África, há uma nota tristemente confluente: como os assalariados que só dispõem de seu labor poderão sobreviver neste mundo sem trabalho e sem salário?

Dos EUA à China, de Portugal ao Canadá, da Inglaterra ao Japão, passando pelos tristes trópicos, novos recordes de desemprego são batidos todos os dias. Um incomensurável processo de corrosão e erosão se efetiva. Tal como foi desenvolvido ao longo do curto século 20, o trabalho tayloriano-fordista sofreu forte retração a partir dos anos 1970. Mas, com a intensificação desse quadro crítico, adentramos um novo ciclo de demolição do trabalho em escala global.

As diversas formas de "empreendedorismo", "trabalho voluntário" e "trabalho atípico" oscilam frequentemente entre a intensificação do trabalho e sua autoexploração. Dormem sonhando com o novo "self-made man" e acordam com o pesadelo do desemprego. Empolgam-se pela falácia do empresário-de-si-mesmo, mas esbarram cada vez mais na ladeira da precarização.

Em volume assustador, uma massa de homens e mulheres torna-se supérflua, esparramando-se pelo mundo em busca de um labor que já não mais existe. Este 1º de Maio nos leva, então, a indagar: qual trabalho queremos para este tenso século 21 que mal está começando?

Artigo do sociólogo Ricardo Antunes, professor titular de sociologia do trabalho do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Publicado hoje na Folha.

comentário: e por minha vez, retirei-o do Diário Gauche

Wednesday, April 29, 2009

Gripe suína: os porcos perigosos andam de terno

As hordas de turistas americanos regressaram de Cancún este ano com um souvenir invisível mas sinistro. A gripe suína mexicana, uma quimera genética provavelmente concebida na lama fecal de um criadouro industrial, ameaça subitamente o mundo inteiro com uma febre. Os brotos na América do Norte revelam uma infecção que está viajando já em maior velocidade do que aquela que viajou a última cepa pandêmica oficial, a gripe de Hong Kong, em 1968.


Por Mike Davis, no The Guardian*


Roubando o protagonismo de nosso último assassino oficial, o vírus H5N1, este vírus suíno representa uma ameaça de magnitude desconhecida. Parece menos letal que a Sars (Síndrome Respiratória Aguda, na sigla em inglês) em 2003, mas como gripe, poderia resultar mais duradour que a Sars. Dado que as domesticadas gripes estacionais de tipo “A” matam nada menos do que um milhão de pessoas ao ano, mesmo um modesto incremento de virulência poderia produzir uma carnificina equivalente a uma guerra importante.


Micróbios que voam pelo mundo

Uma de suas primeiras vítimas foi a fé consoladora, predicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na possibilidade de conter as pandemias com respostas imediatas das burocracias sanitárias e independentemente da qualidade da saúde pública local. Desde as primeiras mortes causadas pelo H5N1 em 1997, em Hong Kong, a OMS, com o apoio da maioria das administrações nacionais de saúde, promoveu uma estratégia centrada na identificação e isolamento de uma cepa pandêmica em seu raio local de eclosão, seguida de uma massiva administração de antivirais e, se disponíveis, vacinas para a população.

Uma legião de céticos criticou esse enfoque de contrainsurgência viral, assinalando que os micróbios podem agora voar ao redor do mundo – quase literalmente no caso da gripe aviária – muito mais rapidamente do que a OMS ou os funcionários locais podem reagir ao foco inicial. Esses especialistas observaram também o caráter primitivo, e às vezes inexistente, da vigilância da interface entre as enfermidades humanas e as animais.

Mas o mito de uma intervenção audaciosa, preventiva (e barata) contra a gripe aviária resultou valiosíssimo para a causa dos países ricos que, como os Estados Unidos e a Inglaterra, preferem investir em suas próprias linhas Maginot biológicas, ao invés de incrementar drasticamente a ajuda às frentes epidêmicas avançadas de ultra mar. Tampouco teve preço esse mito para as grandes transnacionais farmacêuticas, envolvidas em uma guerra sem quartel com as exigências dos países em desenvolvimento empenhados em exigir a produção pública de antivirais genéricos fundamentais como o Tamiflu, patenteado pela Roche.


A situação do México e a dos EUA

A versão da OMS e dos centros de controle de enfermidades, que já trabalha com a hipótese de uma pandemia, sem maior necessidade novos investimentos massivos em vigilância sanitária, infraestrutura científica e reguladora, saúde pública básica e acesso global a medicamentos vitais, será agora decisivamente posta a prova pela gripe suída e talvez averigüemos que pertence à mesma categoria de gestão de risco que os títulos e obrigações de Madoff. Não é tão difícil que fracasse o sistema de alertas levando em conta que ele simplesmente não existe. Nem sequer na América do Norte e na União Européia.

Não chega a ser surpreendente que o México careça tanto de capacidade como de vontade política para administrar enfermidades avícolas ou pecuárias, pois a situação só é um pouco melhor ao norte da fronteira, onde a vigilância se desfaz em um infeliz mosaico de jurisdições estatais e as grandes empresas pecuárias enfrentam as regras sanitárias com o mesmo desprezo com que tratam aos trabalhadores e aos animais.
Analogamente, uma década inteira de advertências dos cientistas fracassou em garantir transferências de sofisticadas tecnologias virais experimentais aos países situados nas rotas pandêmicas mais prováveis. O México conta com especialistas sanitários de reputação mundial, mas tem que enviar as amostras a um laboratório de Winnipeg para decifrar o genoma do vírus. Assim se perdeu toda uma semana.

Mas ninguém ficou menos alerta que as autoridades de controle de enfermidades em Atlanta. Segundo o Washington Post, o CDC (Centro de Controle de Doenças) só percebeu o problema seis dias depois de o México ter começado a impor medidas de urgência. Não há desculpas para justificar esse atraso. O paradoxal desta gripe suína é que, mesmo que totalmente inesperada, tenha sido prognosticada com grande precisão. Há seis anos, a revista Science publicou um artigo importante mostrando que “após anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte tinha dado um salto evolutivo vertiginoso”.


Mutações mais virulentas a cada ano

Desde sua identificação durante a Grande Depressão, o vírus H1N1 da gripe suína só havia experimentado uma ligeira mudança de seu genoma original. Em 1998, uma variedade muito patógena começou a dizimar porcas em uma granja da Carolina do Norte, e começaram a surgir novas e mais virulentas versões ano após ano, incluindo uma variante do H1N1 que continha os genes do H3N2 (causador da outra gripe de tipo A com capacidade de contágio entre humanos).

Os cientistas entrevistados pela Science mostravam-se preocupados com a possibilidade de que um desses híbridos pudesse se transformar em um vírus de gripe humana – acredita-se que as pandemias de 1957 e de 1968 foram causadas por uma mistura de genes aviários e humanos forjada no interior de organismos de porcos – e defendiam a criação urgente de um sistema oficial de vigilância para a gripe suína: advertência, cabe dizer, que encontrou ouvidos surdos em Washington, que achava mais importante então despejar bilhões de dólares no sumidouro das fantasias bioterroristas.


Gigantescos infernos fecais

O que provocou tal aceleração na evolução da gripe suína: Há muito que os estudiosos dos vírus estão convencidos que o sistema de agricultura intensiva da China meridional é o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico intercâmbio genômico. Mas a industrialização empresarial da produção pecuária rompeu o monopólio natural da China na evolução da gripe. O setor pecuário transformou-se nas últimas décadas em algo que se parece mais com a indústria petroquímica do que com a feliz granja familiar pintada nos livros escolares.

Em 1965, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos muito debilitados.

No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um informe sobre a “produção animal em granjas industriais”, onde se destacava o agudo perigo de que “a contínua circulação de vírus (...) característica de enormes aviários ou rebanhos aumentasse as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”. A comissão alertou também que o uso promíscuo de antibióticos nas criações de suínos – mais barato que em ambientes humanos – estava propiciando o surgimento de infecções de estafilococos resistentes, enquanto que os resíduos dessas criações geravam cepas de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou um bilhão de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).


O monstruoso poder dos monopólios

Qualquer melhora na ecologia deste novo agente patógeno teria que enfrentar-se com o monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e pecuários, como Smithfield Farms (suíno e gado) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática de suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas algumas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento de pesquisadores que cooperaram com a investigação.

Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como a gigante avícola Charoen Pokphand, sediada em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste Asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do vírus da gripe suína bata de frente contra a pétrea muralha da indústria do porco.

Isso não quer dizer que nunca será encontrada uma acusadora pistola fumegante: já corre o rumor na imprensa mexicana de um epicentro da gripe situado em torno de uma gigantesca filial da Smithfield no estado de Vera Cruz. Mas o mais importante – sobretudo pela persistente ameaça do vírus H5N1 – é a floresta, não as árvores: a fracassada estratégia antipandêmica da OMS, a progressiva deterioração da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industrializada e ecologicamente bagunçada.


* Mike Davis é professor no departamento de História da Universidade da Califórnia (UCI), em Irvine; artigo publicado originalmente no britânico The Guardian, reproduzido no La Vanguardia (México), Sin Permiso (Espanha) e Carta Maior (Brasil); intertítulos do Vermelho

O Diabo existe, e ele criou os bancos, as financeiras e a telefonia

Mais uma vez é necessário brigar com a empresa de telefonia e internet Brasil Telecom. Promessas não cumpridas, cobranças indevidas. Vamos ver se é só incompetência ou se trata de má-fé mesmo...

Sunday, April 26, 2009

Banheiros

que eu pensei: e se as pessoas melhorassem de vida? e se, afinal, nos tornássemos primeiro mundo? quem ia limpar os banheiros?!
Fiquei triste em dar-me conta do meu próprio egoísmo.
Muitos dos neocons, que fazem de conta que se revoltam com a "corrupçao", que se dizem defensores da moral, não admitem mas pensam nisso, com todas as forças: "quem vai lavar os banheiros"? E assim, são contra qualquer coisa que possa significar melhoria na condição de vida das pessoas, seja prouni, bolsa-família, agricultura familiar, reforma agrária, etc. Afinal, se todos se equipararem, quem vai lavar os banheiros?
Seria melhor que cada um lavasse seu próprio banheiro!

Pros Que Estão Em Casa

Hojerizah

Composição: Rômulo Portella / Flávio Murrah

Até bem cedo
Esperei pelo telefonema
Tapando com peneira
O sol que vai nascendo.

Não vou tomar café
Nem escovar os dentes
Vou de aguardente
Como o sol que queima a praça

Bom dia, boa tarde
Good night, quero dar um tapa
De topete e cara
Vi nova york internada

E meu amor nao deu em nada
Nem sobrancelhas eriçadas
E a essa altura do fato
Nem fumaça tem cano de descarga.



Vídeo com assessora de Mendes na CPI pode ampliar crise no STF

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF), tornada pública nesta semana após discussão entre os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, pode ser ampliada com a provável confirmação de que uma assessora de Mendes foi enviada à CPI dos Grampos, no dia 8 de abril, durante depoimento do delegado Protógenes Queiróz, da Polícia Federal. O jornal Agora, do Rio Grande do Sul, noticiou o caso no último dia 16 e, no dia seguinte, foi questionado pela assessoria de imprensa do Supremo, pedindo explicações sobre a publicação da notícia.

Em resposta, o Agora solicitou então àquela assessoria que confirmasse ou não a suposta presença de uma assessora parlamentar, ligada ao gabinete do ministro Gilmar Mendes, e que informasse quem a teria enviado e com qual missão, mas até ontem não recebeu qualquer retorno. Ontem, o site Conversa Afiada, mantido pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, publicou um vídeo que mostra uma mulher identificada com crachá do Tribunal, durante a sessão da CPI, enviando mensagens de texto. No crachá, pode se ler o nome Dalide. O vídeo pode ser visto no site Youtube (acessível pelo endereço http://tinyurl.com/cgxt6k).

Como adiantou o jornal Agora no dia 16, pessoas que acompanharam a sessão informaram que a assessora vista poderia ser Dalide Alves Correa, assessora-chefe de Articulação Parlamentar da presidência do STF. De acordo com as testemunhas, a assessora passou todo o tempo reportando-se, via celular, a uma terceira pessoa, e enviando mensagens de texto ao presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ). Em dado momento, Itagiba foi chamado fora da sala onde ocorria a sessão. Lá, teria travado um diálogo com a mulher, que dizia para ele "apertar o delegado" que ele iria "acabar cedendo".

A trajetória de Dalide Correa tem pontos em comum com Gilmar Mendes. Em 2006, durante a CPI dos Bingos, o subprocurador-geral da República Moacir Guimarães Morais Filho disse ter estranhado que tanto a Caixa Econômica Federal (na qual Dalide era superintendente jurídica) como a Advocacia Geral da União (nessa época Gilmar Mendes era o Advogado-Geral da União) tenham se “omitido” na tentativa de reverter decisões judiciais contrárias à instituição financeira e em favor da multinacional Gtech, entre 2002 e 2003. Ele estimou que essa “acomodação” dos dois órgãos federais, durante o governo FHC, tenha causado prejuízo aos cofres da Caixa no valor de R$ 235 milhões.

Nos últimos anos, Dalide Correa tem transitado por diversos cargos públicos de livre nomeação, por indicação política. Em 2008, ela era Procuradora-Geral da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Quando Gilmar Mendes assumiu a presidência do STF, ela acompanhou o ministro, sendo guindada ao cargo que ocupa hoje no Supremo Tribunal.

A presença de uma assessora do Tribunal na sessão da CPI que ouvia o delegado responsável por prender o banqueiro Daniel Dantas pode aprofundar ainda mais a crise no STF. O ministro Barbosa acusou o presidente da Corte de estar "destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro", e aconselhou Mendes a "ir para a rua", para ouvir a opinião pública, que tem visto com reservas a atuação de Mendes no caso do banqueiro. Mendes mandou soltar Dantas duas vezes em menos de 48 horas, além de mandar abrir uma representação contra o juiz federal Fausto de Sanctis, que decretou as duas ordens de prisão. Além disso, logo após as prisões, Mendes (que acumula o cargo de presidente do Conselho Nacional de Justiça) fez aprovar uma súmula criminalizando o uso de algemas pela polícia, agora permitidas apenas em casos excepcionais.

Outra crítica ao presidente do Supremo é de que suas declarações à mídia contra a participação da Abin na Operação Satiagraha favorecia a defesa do banqueiro, que tenta anular o processo. Na mesma linha, Mendes endossou tese da revista Veja sobre um suposto grampo de uma conversa envolvendo ele e o senador Demóstenes Torres (DEM-PA), sobre o qual até hoje não apareceu qualquer indício que apontasse possível veracidade do fato. Apesar deste ativismo, no qual abriu mão da neutralidade esperada de um magistrado, em nenhum momento Mendes aproveitou os espaços da mídia para censurar a conduta do banqueiro, condenado em primeira instância por tentativa de suborno e que se vangloriava de ter "facilidades" no STJ e no STF.


Fonte: Agora (RS)/ VErmelho

Thursday, April 16, 2009

roseana sarney ganhou no tapetão

roseana sarney perdeu a eleição, e jackson lago foi expulso do cargo. Contra a cassação nada a declarar, mas não foi na segunda colocada que a maioria dos eleitores votou. É justo que ela assuma? Não seria honesto fazer uma nova eleição?
Este parece ser a nova tática dos que perdem a eleição no voto, mas tem o poder político e econômico. A mesma coisa aconteceu na cidade do irmão do ministro do stf, Gilmar Dantas. Ganhou do irmão de Gilmar Dantas e foi cassado.
Tapetão. tapetão

Saturday, March 07, 2009

Crise = oportunidade

É uma frase bastante dita e deve valer para algumas situações positivas, afinal a desgraça de uns é a alegria de outros. O excesso de chuvas pode prejudicar a agicultura e no entanto ser muito bom para os vendedores de guarda-chuva.

A crise (real ou fictícia) é uma oportunidade, favorecida pela mídia, de grandes empresas sugarem dinheiro do contribuinte na forma de isenção de impostos, juros altos, diminuição do compulsório, sem que o governo cobre nenhuma contrapartida.

A crise também é a oportunidade para empresários mal-intencionados trocarem funcionários que custam x por outros que custam x/2; de baixar o valor do dissídio na negociação com os sindicatos ou de criar um clima de terror em que nenhuma reinvindicação pode surgir; de não pagar horas extras ou de descontar equipamentos de segurança individual do salário dos funcionários.

Para o resto da população a crise é uma oportunidade de se jogar no trilho de trem.

Saturday, January 10, 2009

Uma longa pausa

Desde novembro, anda tudo meio parado neste blog. Vários compromissos, dificuldades e falta de tempo para acessar a web tem me impossibilitado de atualizar o blog. Espero que à partir de março, possa retornar com as atividades normais.

Espero ter a visita de vocês em breve e com conteúdo para os amigos que têm nos acompanhado.

um grande abraço